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Matéria
Sistema de Arquivos – Parte II


Primeiramente, queremos agradecer a todos pelos acessos à Coluna Info, e pelos comentários, elogios e sugestões.

Antes de adentrarmos no tema de hoje, gostaríamos de fazer uma retificação da matéria anterior, onde não mencionamos o sistemas de aquivos EFS (Encrypting File System) na tecnologia do Windows. Esse sistema possui uma característica especial, permitindo a criptografia de arquivos e pastas, que abordaremos em outra oportunidade. Nesta matéria, falaremos de outro sistema de arquivos chamado FAT.

FAT (File Allocation Table), ou Tabela de Alocação de Arquivos, surgiu em 1977 para funcionar com a primeira versão do DOS, e é um sistema que funciona através de um tipo de tabela que contém indicadores de onde estão as informações dos arquivos. Quando salvamos um arquivos em um disquete, por exemplo, o FAT divide o disco em pequenos blocos. Desta forma, o arquivo pode ocupar vários blocos, que não necessitam estar em ordem. Esse blocos podem ficar em locais diferentes. Por isso a exigência de índices para encontrar esses blocos. Esses índices são as tabelas.

Clusters
Antes de nos aprofundarmos, precisamos entender o que são esses blocos, que recebem o nome de CLUSTERS. Quando trabalhamos com HDs e disquetes, necessitamos formatá-los, ou seja, prepará-los fisicamente para uso. Com isso o disco será dividido em trilhas (que nada mais são do que uma espécie de caminho circular) e setores (são uma subdivisão das trilhas, que geralmente possui o tamanho de 512 bytes). Cada conjunto de trilhas recebe o nome de cilindro. O cluster, ou unidade de alocação, é um grupo de setores. Suponhamos que um disco com setores de 512 bytes tivesse 5 KB de tamanho, então ele teria 10 setores e 5 clusters, se cada cluster ocupasse dois setores.


Como funciona o FAT
O sistema de arquivos FAT funciona com essa tecnologia, onde obrigatoriamente cada cluster do disco deve ser usado por um único arquivo, ou seja, em um mesmo cluster não pode conter informações de mais de um arquivo. Isso até parece o mais óbvios, mas gera um disperdício de espaço. Imaginemos que em um disco om 8 KB de espaço, queremos guardar um arquivo que possua 5 KB de tamanho, e cada cluster tenha o tamanho de 4 KB, então seriam necessários 2 clusters, sendo que um ocuparia 4 KB e o outro apenas 1 KB. Como um cluster não pode ter informações de mais de um arquivo, então os outros 3 KB seriam inutilizados. Em outra situação, suponhamos que ao invés de custers de 4 KB, teríamos clusters de 2 KB. Desta forma, três clusters seriam usados, mas ainda perderíamos 1 KB e nos sobraria um cluster de 2 KB para armazenarmos outro arquivo. Não é possível termos clusters de diferentes tamanhos no mesmo disco.

Diferenças entre o FAT16 E FAT32
A principal diferença entre o FAT16 e o FAT32 é que o último consegue trabalhar com uma quantidade maior de clusters. Com o FAT16 podemos utilizar até 65525 clusters por disco ou partição. Esse número é encontrado elevando o número 2 a 16 (por isso é chamado FAT16), que apesar do resultado desse cálculo dar um número maior, só pode ser utilizado 65525. É importante deixar claro que o tamanho do cluster deve obedecer uma potência de 2 (2 KB, 4 KB, 8 KB, 16 KB e 32 KB), não podendo ser 5 KB, 7 KB, 9 KB, por exemplo. Já no FAT32 (o nome é pelo mesmo motivo do FAT16), o tamanho do cluster é determinado através dos comandos de DOS chamados FDISK e FORMAT, bem como por alguns programas de terceiros, como o Partition Magic. O FAT32 consegue trabalhar com até 4.177.918 cluster por unidade de disco.

As diferenças não acabam por aí. O FAT32 é mais confiável, e também consegue posicionar o diretório principal em qualquer local do disco. A partição em FAT32 pode ser mudada de tamanho sem perder os dados armazenados, mas por algum motivo a Microsoft não implantou essa característica. Graças à tecnologia, podemos utilizar programas particionadores para realizar essa tarefa.

LBA
Para o sistema FAT32 funcionar perfeitamente em discos ou partições maiores que 8,4 GB de tamanho, necessita de alterações. Discos que têm esse limite de tamanho utilizam uma forma de endereçamento chamada CHS (Cylinder-Head-Sector), onde cada setor do disco é unicamente endereçado utilizando o Cilindro, a Cabeça de leitura e o Setor da trilha definida pelo cilindro e cabeças anteriores. Para dar continuidade a isso, foi criado o LBA (Logical Book Addressing), onde cada setor do disco é endereçado por um número único oferecido pela BIOS. Com o LBA é possível utilizarmos discos com dezenas de GB.

O Windows consegue trabalhar com discos reconhecidos por LBA, mas em partições que possuem mais de 1024 cilindros, podem apresentar problemas. Para reverter isso, foi criado o sistema FAT32X, onde a File Allocation Table é descolacada para o final do disco. Essa tecnologia inibe o problema, pois com mais de 1024 cilindros, o FAT não armazenas as informações, e desta forma a limitação é anulada, pois mantendo essa tabela no início do disco, ela não pode ser alterada por uma série de fatores.

Bom, espero que tenham gostado de mais uma matéria da Coluna Info do site São Miguel Web. Até a próxima.

Sérgio Roberto Silva
Professor de Informática
Informações e duvidas, escreva para:
colunainfo@saomiguelweb.com
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