Em movimento decisivo para o setor sucroenergético do Nordeste, Eduardo de Queiroz Monteiro detalha os planos para recuperar a produtividade das áreas arrendadas, enquanto enfrenta desafios fundiários e reafirma o compromisso com a modernização agrícola.
Por Jardel Cassimiro Para o Portal São Miguel web Maceió, Alagoas – 18 de dezembro de 2025
O mapa do agronegócio alagoano passa por uma reconfiguração histórica neste final de 2025. O Grupo EQM, liderado pelo empresário pernambucano Eduardo de Queiroz Monteiro, consolidou sua posição de liderança no setor sucroenergético ao assumir o arrendamento de parte das terras pertencentes à Massa Falida da Laginha Agro Industrial S/A. A operação, realizada através da Usina Utinga Leão, marca um novo capítulo na disputa pelos ativos do antigo império de João Lyra e sinaliza uma aposta robusta na revitalização da lavoura canavieira no estado.
A movimentação, que começou sob a neblina de especulações em setembro — chegando a mobilizar protestos de movimentos sociais em União dos Palmares —, foi confirmada na prática pela presença de maquinário e pelas novas diretrizes de gestão no campo. Para Eduardo Monteiro, o arrendamento não é apenas uma expansão territorial, mas uma necessidade de "eficiência operacional".
Foco na Eficiência e Renovação
Em declarações recentes sobre os investimentos do grupo para a safra 2025/2026, Eduardo Monteiro destacou que a estratégia do EQM vai além do simples acúmulo de hectares. O presidente enfatizou a urgência de recuperar o tempo perdido em áreas que, durante o prolongado processo de falência, sofreram com a degradação e a falta de manejo técnico.
"A aplicação prática da sustentabilidade é a associação do desenvolvimento econômico com a preservação da capacidade produtiva", afirmou Monteiro. "Nós temos a responsabilidade de reinvestir para melhorar a eficiência. Alagoas é um estado extremamente competitivo para a cana-de-açúcar, talvez o mais competitivo do Norte-Nordeste, mas precisamos de escala e de tecnologia para fazer essas terras voltarem a gerar riqueza real."
O executivo, que representa a terceira geração de sua família na produção de açúcar, vê na incorporação das terras da Laginha uma oportunidade de aplicar o know-how da Utinga Leão — que completou 131 anos de operação — em solos vizinhos que careciam de investimento. "Estamos investindo no futuro com a consciência de segurar um timão para passar para a próxima geração em condições melhores do que recebemos", completou.
O Contexto Social e Jurídico
A chegada do Grupo EQM às terras da Laginha, no entanto, não ocorre sem turbulências. A área é palco de um dos conflitos agrários mais longos do estado. Em setembro, rumores sobre o contrato já haviam provocado a mobilização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que reivindica parte dos 17 mil hectares da massa falida para a reforma agrária.
A operação de arrendamento foi autorizada judicialmente dentro do plano de gestão da Massa Falida, visando gerar receitas para o pagamento dos milhares de credores trabalhistas que aguardam indenizações há mais de uma década. Apesar da tensão e de episódios recentes de reintegração de posse reportados na região de Messias e União dos Palmares, o Grupo EQM mantém o discurso focado na legalidade e na geração de empregos formais como contrapartida social imediata.
Um Gigante em Expansão
Com a gestão dessas novas áreas, o Grupo EQM reforça seu "cinturão da cana" que se estende de Pernambuco (com a Usina Cucaú) ao Rio Grande do Norte (Usina Estivas) e agora se adensa em Alagoas. Para o mercado, o movimento de Eduardo Monteiro é uma demonstração de força e otimismo, contrastando com a cautela de outros players do setor.
Enquanto as máquinas da Utinga Leão começam a preparar o solo para o próximo ciclo, a mensagem de Monteiro é clara: a tradição sucroalcooleira do Nordeste só sobreviverá se houver coragem para modernizar e expandir, mesmo em terrenos complexos.
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