Acuado por cobranças e escândalos recentes, JHC reage com ataques a Renan Filho

Acuado por cobranças e escândalos recentes, JHC reage com ataques a Renan Filho
Acuado por cobranças e escândalos recentes, JHC reage com ataques a Renan Filho — Foto: Reprodução / São Miguel Web


Candidato ao governo do Estado usa o ataque como estratégia de defesa para manter o silêncio sobre escândalos e perseguição a jornalistas.

A corrida pelo Palácio República dos Palmares atinge seu ponto mais conflagrado no momento em que o ex-prefeito de Maceió e candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC, adota a ofensiva aberta contra o ex-ministro dos Transportes e ex-governador Renan Filho como escudo discursivo. Pressionado pela escalada de questionamentos sobre a destinação de verbas públicas municipais e pela recente onda de ações judiciais movidas por sua coligação contra profissionais de imprensa, o postulante recorre à polarização agressiva para desviar o debate público das denúncias que cercam sua gestão na capital e silenciar críticas sobre o cerceamento ao livre exercício do jornalismo no estado.

O endurecimento do confronto ocorre em meio a uma sucessão de reveses na imagem pública da campanha de JHC. Nas últimas semanas, órgãos fiscalizadores e veículos independentes intensificaram a cobrança por transparência em repasses milionários e contratos executados durante sua administração na prefeitura de Maceió, sobretudo no uso de recursos extraordinários e acordos de compensação financeira.

Paralelamente, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) emitiu alertas públicos manifestando preocupação com o crescimento do chamado assédio judicial durante o período eleitoral. A entidade chamou atenção para sucessivos pedidos de remoção de conteúdos formulados pela coligação partidária encabeçada por JHC contra repórteres, colunistas e portais de notícias que investigavam atos de sua administração.

Em vez de apresentar respostas pontuais aos dados técnicos levantados pela imprensa e pelas auditorias de controle, o comitê de JHC optou por disparar peças de propaganda e pronunciamentos que resgatam investigações antigas contra o grupo político liderado por Renan Filho, incluindo suspeitas na área da saúde estadual e aportes previdenciários. A manobra tem como objetivo claro substituir a prestação de contas pela contenda ideológica, forçando a opinião pública a escolher entre acusações cruzadas antes que as apurações locais ganhem tração definitiva.

Do ponto de vista da estratégia eleitoral e da jurisprudência, o movimento operado pela defesa de JHC baseia-se na teoria do contraponto litigioso. Ao ser confrontada com reportagens investigativas, a representação jurídica do candidato tem acionado com rigor a Justiça Eleitoral, invocando o artigo 57-D da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) sob o pretexto de combater publicações supostamente descontextualizadas ou difamatórias.

Entretanto, decisões recentes do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) acenderam o alerta sobre os limites dessa investida. Magistrados do tribunal ressaltaram expressamente que a retirada liminar de matérias constitui medida excepcional e de interpretação restritiva, alertando que a judicialização excessiva contra comunicadores coloca em risco garantias pétreas estabelecidas no artigo 220 da Constituição Federal, que proíbe qualquer tipo de censura prévia à atividade jornalística.

Para driblar o desgaste decorrente da pecha de perseguição à imprensa, a assessoria jurídica da chapa tem evitado ingressar com ações assinadas diretamente pela pessoa física de JHC, delegando os pedidos de censura à legenda e à coligação formal. Enquanto os tribunais analisam se essa dissociação de autoria é apenas um expediente técnico, o próprio candidato preenche seus espaços de rádio, televisão e redes digitais atacando Renan Filho, classificando as apurações contra si como manobras políticas orquestradas pelo Palácio e pelo MDB.

A utilização sistemática do confronto verbal para sufocar investigações jornalísticas produz um efeito inibidor profundo sobre a fiscalização do poder público em Alagoas. Quando o aparato partidário passa a interpelar criminal ou civilmente repórteres que noticiam falhas na gestão de orçamentos, o ecossistema de mídia regional enfrenta um cenário de autocensura e intimidação econômica, onerando profissionais autônomos com custas processuais contínuas.

Além do prejuízo direto à liberdade de imprensa, essa blindagem artificial subtrai do eleitor alagoano o direito básico à informação transparente. Ao monopolizar o debate diário com ataques sobre processos alheios, temas estruturantes deixam de ser escrutinados, como o destino de fundos municipais, os termos de contratações emergenciais da Prefeitura de Maceió e os impactos sociais não mitigados em bairros atingidos por crises urbanas na capital.

A assessoria jurídica e a coordenação de campanha de JHC sustentam categoricamente que não há perseguição à atividade da imprensa, mas sim o exercício legítimo do direito de resposta contra o que denominam de ataques deliberados e notícias inverídicas disseminadas com finalidade eleitoreira. A defesa afirma que recorre à Justiça Eleitoral unicamente para coibir calúnias e desinformações que violam a igualdade de armas no pleito, refutando qualquer tentativa de cerceamento à livre manifestação informativa responsável. Sobre as críticas direcionadas a Renan Filho, os interlocutores do candidato alegam que expor inconsistências da oposição faz parte do contraditório democrático e que a população tem o direito de comparar gestões.

Por sua vez, o ministro Renan Filho rebateu as declarações e declarou publicamente que prefere "o barulho da democracia ao silêncio da ditadura", acusando o adversário de agir com truculência institucional e covardia contra os profissionais da comunicação. O emedebista aponta que a tentativa de desviar o foco de escândalos da gestão municipal em Maceió demonstra fragilidade programática e desespero eleitoral diante da impossibilidade de explicar à sociedade as denúncias acumuladas.

Com a aproximação das urnas, a tendência é de agravamento da beligerância judicial e discursiva entre os dois polos da disputa estadual. O Ministério Público Eleitoral e o TRE-AL devem intensificar a análise das ações para evitar que o foro judicial seja instrumentalizado como ferramenta de censura à cobertura jornalística.

Se a estratégia de JHC de erguer uma cortina de fumaça sobre suas próprias investigações surtir o efeito pretendido, a resposta dependerá da capacidade da imprensa e da sociedade civil de manter o foco nas evidências concretas e na exigência irrevogável de transparência, independentemente do ruído provocado pelas campanhas nas redes sociais.

Por Jardel Cassimiro.

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