Após 40 Anos, São Miguel dos Campos Inicia Reforma de R$ 10,7 Milhões no Mercado Público

Após 40 Anos, São Miguel dos Campos Inicia Reforma de R$ 10,7 Milhões no Mercado Público
Após 40 Anos, São Miguel dos Campos Inicia Reforma de R$ 10,7 Milhões no Mercado Público — Foto: Reprodução / São Miguel Web

Intervenção estrutural viabilizada via Codevasf promete requalificar o centro comercial e impulsionar a economia local em 14 meses de obras.

Na manhã de 22 de junho de 2026, a cidade de São Miguel dos Campos presenciou um marco administrativo e econômico com a assinatura da Ordem de Serviço para a reforma e modernização do Mercado Público Municipal. O equipamento, que aguardava uma intervenção dessa magnitude há cerca de quatro décadas, receberá um aporte de R$ 10,7 milhões. Os recursos são oriundos de emenda parlamentar viabilizada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), marcando uma frente de requalificação urbana que afeta diretamente feirantes, comerciantes e consumidores alagoanos.

Inaugurado há aproximadamente 40 anos, o Mercado Público consolidou-se como o coração pulsante do comércio agropecuário e varejista de São Miguel dos Campos. Durante décadas, o espaço operou sob crescente sobrecarga estrutural e desgastes naturais, refletindo a carência de políticas públicas contínuas de manutenção. A deterioração das instalações elétricas, sanitárias e de alocação dos feirantes tornou a modernização não apenas uma demanda estética, mas uma urgência sanitária e de segurança. A articulação política que culminou no atual repasse envolveu a prefeitura municipal, liderada por George Clemente, e a atuação decisiva da bancada federal e estadual, notadamente os deputados Arthur Lira e Fernando Pereira, que canalizaram os recursos federais para o município.

O projeto de engenharia, gerido por processo licitatório sob o escrutínio da 5ª Superintendência Regional da Codevasf (Pregão Eletrônico Nº 90020/2025), estipula um cronograma rigoroso de execução com duração prevista de 14 meses. A obra abrange a substituição integral do telhado, readequação do sistema de escoamento e drenagem, modernização das redes elétrica e hidráulica, e a padronização dos boxes comerciais. As intervenções seguem as normas contemporâneas de acessibilidade e vigilância sanitária, garantindo a certificação adequada para a comercialização de carnes, pescados, hortaliças e produtos manufaturados regionais. Trata-se de uma reconstrução interna que preserva a identidade arquitetônica do complexo, enquanto atualiza sua funcionalidade logística para os padrões do século XXI.

A injeção de R$ 10,7 milhões na infraestrutura comercial do município gera efeitos imediatos e de longo prazo. A curto prazo, o canteiro de obras absorve mão de obra local, dinamizando a construção civil miguelense. A longo prazo, a modernização do Mercado Público promete estancar a evasão de consumidores para os supermercados de grandes redes, devolvendo a competitividade ao pequeno produtor e ao feirante tradicional. O novo layout e a infraestrutura sanitária adequada viabilizam a expansão do horário de funcionamento e a diversificação de produtos, o que, segundo projeções econômicas locais, deve elevar substancialmente o fluxo de capital que circula internamente na cidade.

Apesar do otimismo oficial, obras de grande porte em centros comerciais em pleno funcionamento trazem inevitáveis externalidades negativas. Representantes de associações de feirantes expressam preocupação velada quanto ao remanejamento temporário de suas bancas durante os 14 meses de execução previstos. O desafio da gestão municipal consiste em alocar centenas de trabalhadores informais e formais em espaços provisórios sem que haja queda drástica no faturamento dessas famílias. Além disso, a oposição política municipal levanta questionamentos técnicos sobre a capacidade da prefeitura de manter o novo padrão de zeladoria após a entrega, apontando o histórico de abandono do equipamento nas gestões passadas.

A reforma do Mercado Público integra um vetor mais amplo de modernização e fortalecimento da infraestrutura de São Miguel dos Campos. Observa-se uma tendência clara de descentralização de recursos federais via Codevasf para projetos que ancoram a economia criativa e agrária no interior nordestino. Esse modelo de parceria institucional, ligando Brasília às administrações locais, sugere um novo padrão de investimentos focado na retenção da população nas cidades-polo, evitando o êxodo comercial para a capital, Maceió. A conclusão deste projeto pode pavimentar o caminho para a requalificação de outros espaços adjacentes, como a Casa da Cultura, consolidando um roteiro turístico e econômico integrado na região.

Por Jardel Cassimiro

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